São Pio de Pietrelcina virou modelo de padre perseguido pela Igreja. Ultimamente sempre que alguém quer defender algum padre que recebeu uma punição ou advertência por parte da autoridade eclesiástica, menciona Padre Pio. É como se dissessem: “Não se preocupe. A Igreja está sendo injusta com você. Ela também erra. Veja o caso de Padre Pio: foi perseguido mas, depois, foi canonizado”.

            Por exemplo: comentando a suspensão do Fr. Jânio, Ofmcap, o autor deste blog, fez o seguinte comentário:

            “Entre os anos de 1922-1933, o Vaticano publicou cinco decretos alertando o público sobre o Padre Pio. A Santa Sé o restringiu de ouvir confissões e de celebrar a Missa em público”.

            No Blog dos “amigos” do Pe. Cosmo (afastado recentemente de suas funções na Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios) também há comparações desta natureza.

            Não há nada mais danoso que isso. Comentários desta natureza estimulam a desobediência, impedem as pessoas de fazerem uma leitura sensata da realidade eclesial, além de induzirem o sacerdote ou religioso em questão a acreditar que não precisa rever nenhuma de suas atitudes, afinal: “Vox populi, vox Dei (A voz do Povo é a voz de Deus). Portanto, eu estou certo”.

            A prudência pastoral exercida pela Igreja e seus representantes muitas vezes é vista como erro ou injustiça. Quem pensa desta maneira, no entanto, ignora ou distorce o fato de que a Igreja age no tempo. Isto é: ela identifica o que é mais adequado a fazer naquele instante. Nas mais das vezes, quer-se preservar o padre dos efeitos danosos do estrelismo (ou protagonismo) que muitas vezes o povo fomenta. “Illum oportet crescere”: É necessário que Ele cresça (Jo 3,30). Isto acontece não só no caso de padres que são afastados. Ás vezes o povo gosta tanto de determinado padre ou religioso missionário que o quer para sempre consigo. Mas isto não pode ser feito porque contraria a própria essência da vocação missionária! Daí se um bispo ou superior transfere o missionária é confusão na certa. Mas: paciência! O que não se pode é arrefecer no zelo, na solicitude pastoral.

            Além do que, há pessoas que – por mais virtudes que tenham – cometem erros gravíssimos que precisam ser corrigidos (antes que os erros comecem a corromper as próprias virtudes). Se quando elogiamos alguém, abstraímos de seus defeitos; é justo que quando corrigimos e punimos alguém, prescindamos de qualquer bem que ela possa ter feito ou promovido. Uma tolerância excessiva, com a justificativa tosca de que os acertos abonam o erro, acaba se tornando omissão. Depois vou aprofundar este assunto e posto aqui…

 

São Pio, Rogai por nós.

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