Hoje é dia de São Sebastião. Próximo à minha casa, existem duas paróquias dedicadas e este Santo Mártir. Como todos os anos, haverá Missa Solene (com direito a dezenas de acólitos e bastante incenso).

            Sempre que penso em procissão sinto calafrios. Isso porque não sei até quando elas irão existir. Os jovens de hoje em dia não são instruídos a participar também dessa manifestação tão bonita da piedade popular. Procissão virou uma espécie de caminhada da terceira idade. Enquanto tivermos piedosas senhoras e senhores para participar das procissões, tudo bem. Mas, e quando eles se forem? O que faremos?

            Essa mesma angústia me dá quando alguém diz: “jovem não gosta de rezar o terço”. Desse jeito, não demora muito para esquecermos como rezá-lo!          Não podemos separar as práticas religiosas em práticas para idosos e práticas para jovens. Se não criarmos consciência de que a tradição popular deve ser transmitida, não teremos, no futuro, a riqueza de devoções populares que ainda hoje, ainda que sem o vigor de outrora, podemos ver.

A procissão é definida como marcha solene de caráter religioso, onde grupos de pessoas entoam cânticos e rezas (cf. Houaiss, 2001). Além de ser uma manifestação pública de fé, simboliza a caminhada do povo de Israel rumo à Terra Prometida. Caminhar em procissão significa que nós somos Igreja Militante, mas marchamos na esperança de um dia fazer parte da Igreja Gloriosa. Hoje, por exemplo, queremos chegar à companhia de São Sebastião, a partir da imitação de suas virtudes. Há um valor espiritual muito grande escondido nas procissões, bem como nas peregrinações e romarias. Encontrei este livro no Google Books, que traz um conteúdo interessante sobre o caráter folclórico e cultural ligado as procissões.

Talvez o problema seja que a catequese dada hoje em dia: em muitos lugares a catequese nem forma, em informa. Em alguns lugares ela até deforma… Acho que catequese é para ensinar doutrina e também para incutir valores religiosos e espirituais. Penso que os catequistas devam despertar a piedade dos seus catequizandos. É bem verdade que a nossa sociedade não favorece a construção de um clima de religiosidade.

            Devemos agradecer a Deus porque ninguém – ao menos que eu saiba – ergueu a voz para insinuar que as procissões representam uma ofensa à fé dos não-católicos… No Natal do ano passado circulou na internet um pedido pela volta dos presépios. A campanha, lançada pelo site Reino da Virgem Mãe de Deus, de autoria de Márcio Antônio Campos, e abraçada por diversos blog e sites católicos, chamava-se “Presépios já”. Espero que um dia não seja preciso que façamos uma campanha similar intitulada “Procissões já!”…

 

 

 

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