E mais uma vez o trá-lá-lá do Estado Laico… Não agüento mais. Tudo de “bom” que há no Brasil é graças ao fato do Estado ter se desvencilhado das “garras” da Igreja. É sempre assim. Dessa vez, a afirmação foi feita por um leitor de O Globo. Eis o trecho do artigo que ele escreveu:

 

            “Inicialmente, com base na experiência brasileira, pode-se afirmar com certeza que é possível a co-existência pacífica de diversas etnias e religiões sob uma mesma base territorial. Mas, como o Brasil conseguiu alcançar tais índices de ecumenismo e tolerância? Em minha simplória opinião, dissociando a educação intelectual da educação religiosa. Em que pese as diversas críticas ao nosso sistema de educação, que tem diversos pontos fracos que precisam urgentemente de melhora, a atividade de ensino intelectual no Brasil é dissociada da formação religiosa, em virtude da adoção de nosso modelo laico de Estado, o que permite que, na mesma sala de aula, crianças das mais diversas etnias e religiões estudem juntas e desenvolvam um sentimento de amizade e companheirismo pelo colega de estudo. No recreio, independentemente de religião ou política, brincam juntas e, na aula de educação física, negros, brancos, amarelos, pardos, católicos, protestantes, espíritas, membros do candomblé e da umbanda fazem parte do mesmo time de futebol e aprendem o sentido de união e equipe que o esporte coletivo promove”.

 

            Primeira gafe (pode ser que o autor se ofenda se eu disser que é um erro…): o autor do artigo usa indiscriminadamente o termo “ecumenismo”. Faz a tradicional confusão entre ecumenismo (que só ocorre entre confissões cristãs) e inter-religiosidade (depois das malditas novas rédeas da língua portuguesa, nem sei se é assim que se escreve!). Inter-religiosidade é mais ou menos assim: pegue vários gatos e coloque num saco… Entendeu?

            Logo em seguida, o caríssimo leitor-articulista de O Globo sugere que dissociar a educação religiosa da intelectual ajudou o Brasil a ser mais tolerante do ponto de vista religioso. Balela. Eu discordo. Pelos seguintes motivos:

            1 – Uma questão de terminologia: quem disse que a educação religiosa não é intelectual? Ter fé é um ato racional. Abraçar a fé é uma adesão intelectual, sim.

            2 – Quando um pai matricula o filho em um colégio católico, por exemplo, ele deveria saber que a educação religiosa oferecida pelo colégio é católica. Se ele sabe e consente, não há problema. Se ele sabe, mas não consente, é recomendável que escolha outro colégio para matricular o filho. Se ele não sabe: informe-se! O que não dá é ele querer o professor de matemática e não querer o de religião. Ou adere ao colégio como um todo ou não adere. É a mesma discussão daqueles que querem ser padres, mas não querem abraçar o celibato. Com Deus é assim: ou tudo ou nada!

            3 – O colégio tem o direito de transmitir aos seus alunos a confissão da qual comunga. Alguns alunos e pais podem até discordar. Mas é precisamente a manutenção das aulas de religião – à qual alunos de todos os credos assistem – que serve como exercício de tolerância. Não é retirando a aula que se obtém um convívio pacífico. Porque se se retira a aula se elimina o convívio.

            Depois, o ilustre escritor fala de amizade e companheirismo. É lindo. Mas religião não se resume a isso. Comenta sobre a importância do esporte e apresenta a miscigenação visível no recreio. Mas religião também não se resume a isso. E a formação moral das crianças onde fica? E a transmissão da doutrina? Pergunto: antes de a educação religiosa ser desvinculada da “intelectual” (para usar os termos do próprio autor) não havia crianças de religiões diversas brincando juntas? Conversa fiada! Religião laica não é religião. É uma prostituição de religião criada pelo Estado para difundir o princípio relativista segundo o qual “todas as religiões levam a Deus”.

            Seguindo a linha tosca da argumentação do leitor de O Globo, os que quiserem, assistam a esse vídeo no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=IhveX_xXGts

 

 

            P.S.: Não postei o vídeo porque acho que não merece tanta publicidade. Por isso, pus apenas o link.

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