Nestes últimos meses, me envolvi – meio que sem querer – numa discussão em torno do uso da música protestante por parte de católicos. Ouvi opiniões das mais diversas: houve quem dissesse que os católicos deveriam ser terminantemente proibidos de cantar a música produzida pelos protestantes. Outros, não sei se prudentes ou relativistas, afirmaram que a música gospel “até poderia ser usada em grupos de oração e outras atividades”, mas não na celebração eucarística. Segundo estes, só a música católica poderia ser considerada litúrgica. Outros, ainda, disseram não ter nenhum receio de tocar e cantar a música dos “nossos irmãos separados”.

            Em meio a posições tão contraditórias, decidi jogar um pouco de lenha na fogueira… Brincadeiras à parte, quero apenas expor algumas considerações, seguidas de questionamentos, que vêm me inquietando enquanto rumino o assunto. Ei-las:

            Primeiro – Os coordenadores de grupo de oração têm o direito de cantar o que quiserem. Isto é fato: são criaturas livres, criadas por Deus e dotadas de razão. Tanto podem cantar a música protestante como o funk carioca; podem apreciar tangos argentinos, e também comprazer-se em ouvir os aboios sertanejos. Mas, pergunto, teriam esses coordenadores o direito de obrigar outros a cantar e/ou tocar aquilo que não querem? Está dentro dos limites de sua autoridade forçar os seus coordenados a fazer algo que estes, em consciência, objetam? É legítimo usar a teologia da graça atual para justificar que a inspiração (de cantar uma música protestante), tida por aquele que faz as vezes de coordenador, é “vontade de Deus”? A obediência que os membros do grupo “devem” a quem coordena se estende até um caso desses?

            Segundo – Suponhamos que os membros de um determinado grupo católico decidissem não mais cantar o canto gregoriano nas suas reuniões de oração. Será que, com a mesma veemência com que se reivindica o direito de cantar música gospel, a coordenação do grupo reivindicaria o direito de cantar o canto oficial da Igreja, o canto gregoriano? Ou diriam: “Tudo bem. O gregoriano não fazia parte da nossa realidade mesmo”? Não há algo de errado em admitir que a música “evangélica” está mais próxima à nossa realidade – enquanto católicos – que o precioso legado de São Gregório Magno?

            Terceiro – Por que – em alguns grupos de oração – quando o coordenador “sente” que deve fazer uma oração de arrependimento, é mais fácil que se lembre de algum canto protestante que do Kyrie da missa de Angelis, por exemplo? Já participei de inúmeras reuniões de oração de grupos carismáticos. Sempre iniciam invocando o Espírito Santo. Algumas vezes, vi essa invocação ser feita a partir de um canto protestante. Mas por que será que eu nunca ouvi entoarem o Veni, Creator – a invocação clássica da Igreja à terceira pessoa da Santíssima Trindade? Nem mesmo a versão em português! Não parece estranho que o Espírito Santo inspire em tantos momentos, a música protestante; e quase nunca, a autêntica, a verdadeira música católica?

            Aguardo respostas!

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