Duas notícias me deixaram estarrecido esta manhã. A primeira é a seguinte:


Casal quer adotar bebê que comprou

Publicado em 27.11.2008

O casal holandês que comprou um bebê belga pela internet anunciou ontem que quer ficar com a criança e adotá-la legalmente, em entrevista publicada pelo jornal De Telegraaf. “Queremos que fique conosco legalmente o quanto antes. Contratamos um advogado”, declarou Gideon S. “Não podemos prescindir de um bebê como este”, afirmou, acrescentando que o casal não comprou o bebê e sim pagou uma indenização à mãe pelos meses que não pôde trabalhar e os gastos de hospital. A notícia gerou ao mesmo tempo comoção e preocupação, depois da descoberta de que a prática não contraria a Constituição belga. O anúncio foi publicado em um site em 16 de março pela futura mãe, de 24 anos. O bebê foi entregue ao casal logo após o nascimento (http://jc.uol.com.br/jornal/2008/11/27/not_309316.php)

 

 

E a segunda é esta:

 

Britânico fez filhas reféns sexuais durante 25 anos

Publicado em 27.11.2008

LONDRES – Um britânico foi condenado anteontem à prisão perpétua por ter estuprado suas duas filhas inúmeras vezes durante 25 anos. O homem de 56 anos abusou constantemente delas a partir de 1981, quando elas tinham 10 e 8 anos, engravidando as meninas 19 vezes. O juiz do tribunal de Sheffield, no norte da Inglaterra, que o condenou disse que se trata do “pior” caso que já viu em toda sua carreira.

O homem admitiu 25 estupros e quatro agressões sexuais às filhas. A mais velha ficou grávida sete vezes. Ela tem dois filhos e perdeu dois, que morreram durante o parto. Os demais foram abortados. A caçula ficou grávida 12 vezes e tem cinco filhos. (http://jc.uol.com.br/jornal/2008/11/27/not_309314.php)

 

            No primeiro caso, o casal se acha proprietário do bebê. A discussão legal gira em torno de posse e propriedade. Como se a criança fosse um bem qualquer. O bebê foi “comercializado” pela internet, sob a bênção da Carta Magna da Bélgica. É trágico. Mas por que o compraram? Por vaidade? Para chamar a atenção? Para suprir a esterilidade de um dos cônjuges? Para ajudar financeiramente a mãe desesperada que pôs o filho à venda? Não sei. Pode ter sido um misto de todos estes motivos. Mas nenhum destes justifica que se lide com a vida humana como se fosse batatas num banco de feira. Que pensará esta criança quando crescer e se der conta de que a sua fama mundial se deve ao fato de ter sido adquirida?

            No segundo caso, o do britânico, o homem queria as garotas para satisfazer os seus apetites sexuais. E só. Pedófilo, autor de incesto, agressor, promotor do aborto… Meu Deus! Como essas meninas vão, a partir de agora, conduzir suas vidas? Terão elas a coragem de casar-se? Como chamarão a Deus de “Pai” se a referência paterna delas é a pior possível? Quanto tempo estas garotas perderam de suas vidas? 25 anos é tempo demais!

            Perguntei-me, após ler estas reportagens, o que havia de comum (se é que havia) entre elas. Cheguei à conclusão de que o ponto que as liga chama-se mercantilização do ser humano, utilitarismo decorrente de depravação moral. Urge uma reforma moral. Não só da lei, mas do ser humano. É preciso (re)formar a moral do homem. Ou então casos como esses vão se tornar cada vez mais comuns a ponto de que nos acostumemos, nos adaptemos a eles. Acabaremos por banalizar o crime. Aí então, o caos será a ordem “natural” das coisas.

Anúncios