“Que venha Obama ao encontro de nossas esperanças, tais como o fim da agressão ao Iraque e do bloqueio a Cuba” (Frei Betto neste artigo).

 

            “A eleição de Obama parece possuir algo de providencial, como se fora um gesto da compaixão divina para com a humanidade. Vivemos tempos dramáticos com grandes crises: a ecológica, a climática, a alimentar, a energética e a econômica. O arsenal conceptual e pratico disponível não oferece condições para forjar uma saída libertadora. Precisamos de uma mudança, de um novo horizonte utópico, de coragem para inventar novos caminhos. Faz-se necessário uma figura carismática que inspire confiança, segurança e serenidade para enfrentar estes cataclismos e galvanizar as pessoas para um novo ensaio de convivência, um modo diferente de arquitetar a economia e de montar um tipo de globalização pluripolar que respeite as diferenças e possa incluir a todos num mesmo destino juntamente com a Casa Comum, a Terra.
Barack Obama preenche estas exigências de carisma. Se for realmente profunda, a esperança criará seu caminho por entre os escolhos e as ruínas da velha ordem”. (Leonardo Boff. Disponível
aqui).

 

            Bom, era de se esperar que essas duas figuras se manifestassem sobre a eleição de Osama. Perdão, Obama. O que me impressionou, porém, no comentário destes dois ícones da Teologia da Libertinagem no Brasil foi o emprego que eles deram à palavra esperança. Tratando da política abortiva que Obama pretende implementar, William Murat questionou o que se pode esperar de alguém que se propõe a ceifar a vida de milhões de inocentes. Obama vai abortar o futuro dos Estados Unidos da América! Como se pode esperar algo bom dele?

            Posto isso, quero aqui fazer uma pequena reflexão sobre a Esperança Cristã.

 

            “A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. ‘Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa’ (Hb 10,23). ‘Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornás­semos herdeiros da esperança da vida eterna’ (Tt 3,6-7)” (CIC 1817).

 

            Primeiro: é preciso perceber que a esperança é uma virtude. Não é o mesmo que uma simples expectativa construída a partir de um cenário aparentemente promissor. O cristão espera contra toda a esperança (Rm 4,18). Espera quando ninguém mais espera. Espera mesmo quando o túnel é escuro e não se consegue enxergar nenhuma luz ao fim dele.

            Segundo: o Reino dos céus é o fim último da nossa esperança. Ao contrário do que pensa Libertino Boff, resolver a crise “ecológica, climática, alimentar, energética e econômica” não é a finalidade que vai satisfazer os nossos anseios.

            Terceiro: A esperança cristã se baseia na confiança. Não se pode esperar algo bom de alguém que inspira desconfiança. Só Cristo – que é fiel às suas promessas – é capaz de fazer jus a confiança n’Ele depositada. Spes autem non confundit (A esperança não engana. Rm 5,5).

 

Uma outra definição do catecismo, diz:

 

            “A esperança é o aguardar confiante da bênção divina e da visão beatifica de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar o castigo” (CIC 2090).

 

            A respeito desta declaração é importante perceber que o temor de ofender a Deus e de provocar Sua Ira, é também sinal de esperança. Quem espera dias melhores, quem espera novos céus e nova terra (2Pd 3,13), faz por onde não ofender ao Senhor. Quem quer participar do banquete divino terá que usar a veste da esperança, do contrário não participará (Mt 22, 2-14).

            Por fim, quero colocar um trecho belíssimo da Encíclica Spe Salvi, de Sua Santidade, o Papa Bento XVI:

 

            O homem, na sucessão dos dias, tem muitas esperanças – menores ou maiores – distintas nos diversos períodos da sua vida. Às vezes pode parecer que uma destas esperanças o satisfaça totalmente, sem ter necessidade de outras. Na juventude, pode ser a esperança do grande e fagueiro amor; a esperança de uma certa posição na profissão, deste ou daquele sucesso determinante para o resto da vida. Mas quando estas esperanças se realizam, resulta com clareza que na realidade, isso não era a totalidade. Torna-se evidente que o homem necessita de uma esperança que vá mais além. Vê-se que só algo de infinito lhe pode bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que ele alguma vez possa alcançar (…) Precisamos das esperanças – menores ou maiores – que, dia após dia, nos mantêm a caminho. Mas, sem a grande esperança que deve superar tudo o resto, aquelas não bastam. Esta grande esperança só pode ser Deus, que abraça o universo e nos pode propor e dar aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir” (nº. 30-31).

 

            Nossa esperança é Deus. Obama é ilusão.

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