No último dia 30, a Congregação para a educação católica divulgou um documento chamado “Orientações para o uso das competências psicológicas na admissão e formação dos candidatos ao sacerdócio”. O documento é excelente. Ele expõe – com muita clareza – qual deve ser a atitude dos reitores e formadores de seminaristas perante as dificuldades encontradas na educação destes. O documento já vinha sendo preparado desde 2002. Quando ocorreu a Assembléia Plenária da Congregação para a Educação Católica, o Santo Padre, o papa João Paulo II, havia dirigido as seguintes palavras aos membros do dicastério:

 

            “Estais a examinar algumas Orientações para o uso das competências psicológicas na admissão e na formação dos candidatos ao sacerdócio. É um documento que se propõe como válido instrumento para os formadores, chamados a discernir a idoneidade e a vocação do candidato com vistas ao seu próprio bem e ao da Igreja (…) O clima de fé, unicamente no qual amadurece a resposta generosa à vocação recebida por Deus, permitirá uma correta compreensão do significado e da utilidade do recurso à psicologia, que não exclui todos os gêneros de dificuldades e de tensões, mas favorece uma tomada de consciência mais ampla e um exercício da liberdade mais desenvolto, a fim de empreender uma luta aberta e franca, com a ajuda insubstituível da graça. Por este motivo, será oportuno fazer uma boa preparação de peritos psicólogos que, ao ótimo nível científico, acrescentem uma compreensão profunda da concepção cristã acerca da vida e da vocação ao sacerdócio, de forma a ser capaz de fornecer o apoio eficaz à necessária integração entre a dimensão humana e a sobrenatural”.

 

            Segundo o padre Carlo Bresciani, psicólogo e consultor da Congregação, pode-se resumir o texto em 5 pontos fundamentais (veja matéria completa no site da ACI digital):

 

•           A proteção da intimidade pessoa e da boa fama do candidato.

•           A necessidade de que, se se constatar alguma realidade que requer de terapia durante a fase de discernimento inicial do candidato, esta se deve realizar antes da admissão ao Seminário ou à Casa de formação.

•           Os superiores do foro externo só podem acessar aos resultados da consulta psicológica depois do livre consentimento escrito do candidato, com o único objetivo de um melhor discernimento e formação. Acrescenta-se uma proibição “precisa e vinculante” de fazer qualquer outro uso.

•           É possível que também o Padre espiritual peça ao candidato uma consulta psicológica, sem jamais impô-la, com o fim de proceder com maior segurança no discernimento e acompanhamento espiritual.

•           A condição para readmitir ao Seminário ao candidato submetido a uma terapia é que ele mesmo informe aos novos formadores sobre a consulta psicológica efetuada, quem deverá verificar com precisão sua condição psíquica obtendo a devida informação com o consentimento escrito do candidato.

 

            Mas, para se contrapor a essa atitude positiva da Igreja, e para validar sua inimizade com a Esposa de Cristo, os gayzistas da mídia internacional também se manifestaram. De modo especial, quero citar a reportagem repugnante publicada pelo jornal espanhol El País. O título, de per si, já é equivocado (ou maliciosamente elaborado?!):

 

“El Vaticano niega a los gays el sacerdocio aunque sean castos”

 

(Tradução: O Vaticano nega aos gays o sacerdócio ainda que sejam castos)

 

            Há um erro de foco gravíssimo. O documento não é voltado para o tratamento que a Igreja dispensa aos gays que querem ser padres, mas sim para a contribuição que a psicologia pode oferecer na formação global dos candidatos ao sacerdócio. Outra confusão: aos gays, de fato, a Igreja – obviamente – nega o sacerdócio. Mas, àqueles que – embora tenham tendências homossexuais – conseguem viver a castidade, nunca foi negado o ministério sacerdotal. Ordena-se, entretanto, que – antes de serem admitidos ao seminário – passem por um rigoroso processo de avaliação psicológica para que possam tomar uma decisão madura que proporcione o seu próprio bem, e o da Igreja.

 

            Outra falácia da matéria da El País:

 

“Leyéndolo detenidamente, se diría que la Iglesia busca superhéroes, más que hombres”.

 

(Tradução: Lendo-o [o documento] atentamente, pode-se dizer que a Igreja busca super-heróis, mais que homens).

 

            Muito pelo contrário. Assim como Deus não nos exige coisas superiores à nossa capacidade, a Igreja também não deseja que realizemos coisas que estão para além de suas forças. A tentativa de fazer com que o celibato sacerdotal seja considerado impossível é a técnica que muitas pessoas usam para justificar suas fraquezas. É também a técnica que a mídia tem utilizado para vilipendiar este dom maravilhoso de Deus e desestimular a vivência do mesmo. Querem as uvas, mas, como não alcançam, dizem que estão verdes…

 

 

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