Além da notícia da menina que se arrastava para ir à missa [veja o segundo post abaixo], encontrei uma outra matéria interessante no site da AIS (Ajuda à Igreja que sofre). Diz respeito a um relatório sobre liberdade religiosa. Este, foi elaborado pela própria AIS, e apresentado à Igreja na quinta-feira passada (22). O relatório – que contém 600 páginas e já foi traduzido para 6 línguas – enseja, a partir da análise de um vasto material jornalístico e da coleta direta de informações dos representantes das igrejas locais, emitir um parecer sobre o grau de liberdade religiosa verificado nos diversos países do mundo. Quer-se também identificar quais as causas da repressão religiosa (onde houver). Em 2004 e em 2006 já haviam sido apresentados semelhantes trabalhos.

            Este estudo é importante, sobretudo, porque os tempos em que vivemos são tempos ditadura do ateísmo. Esta ditadura faz com que a restrição à liberdade se transforme, paulatinamente, em perseguição religiosa – instaurada de fato e de direito.

            Constatou-se que, no cenário mundial, mais de 60 países violam “gravemente” a liberdade religiosa. Entre eles: China, Cuba, Coréia do Norte, Irã, Nigéria, Miamar, Laos, Arábia Saudita, Paquistão e Sudão, que figuram como os países em que se registram as mais graves limitações à liberdade religiosa. 

            Era de se esperar que a China estivesse nessa lista. Lá os cristãos são impedidos de dar manifestações públicas de sua fé. A Igreja é controlada pelo Estado. Por isso o Santo Padre, o Papa Bento XVI, enviou uma carta ao povo chinês manifestando sua solidariedade aquele povo, e expressando sua “preocupação por alguns importantes aspectos da vida eclesial”.

            Mas é preciso que nós voltemos a atenção para um tipo perseguição silenciosa e, por isso, mais nociva. Aquela que é feita em países que aparentemente não tem restrições quanto à liberdade de culto e de credo. Dois exemplos para ilustrar:

            Na França, meninas muçulmanas foram proibidas de usar véu, e garotos judeus impedidos de usar o solidéu. Recentemente, o ex-ministro da Educação na França, Luc Ferry, deu uma entrevista à Revista Veja, dizendo que esta foi uma medida de “promoção da paz”.

            No Brasil, a tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil (criticada pela CNBB aqui), aliada à tentativa de retirar dos órgãos públicos (em que houver) o crucifixo, bem como a insistência em querer aprovar a Lei da Mordaça Gay (PL 122/2006) – que proíbe padres, pastores e quem quer que seja, de expressar sua opinião (contrária) ao homossexualismo, sob acusação de homofobia – são demonstrações de como a perseguição religiosa já se estabeleceu. Sim, porque mesmo sem estas propostas serem aprovadas pela sociedade e legitimadas pelo Estado, elas evidenciam que há um lobby de perseguidores. Pessoas que não querem apenas um Estado Laico, mas também uma sociedade laica.

            Como, sabiamente, nos advertiu o Príncipe dos Apóstolos, em sua primeira carta, há um leão rugindo em torno de nós, buscando a quem devorar (1 Pd 5,8), mas não nos esqueçamos: “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós”. (Mt 5, 11-12).