setembro 2008


 

        Penso que um dos grandes problemas do mundo moderno seja a falta de pais. Não de pais no sentido biológico, mas no sentido espiritual e humano.

        Precisamos de pais atenciosos, que priorizem os filhos e não o trabalho. Como é triste ver filhos, ansiosos por compartilhar momentos importantes de suas vidas, serem obrigados a deixar recados com a secretária eletrônica…

        Precisamos de pais que lutem pelos filhos até o fim. Pais guerreiros que – mesmo após inúmeras tentativas frustradas de conduzir os filhos ao caminho do bem – continuem a orientar seus filhos com a paciência de um artesão…

        Não queremos pais permissivos, que deixam os filhos fazerem tudo o que querem com a desculpa de que “já estão grandinhos, sabem o que fazem”. Os filhos nunca estarão grandes o suficiente para prescindir dos conselhos paternos.

        Não precisamos de pais que se orgulham de ter filhos mulherengos, namoradores… Precisamos, sim, de pais que apontem aos filhos o caminho seguro e certo da castidade – caminho esse que não produz pais nem avós antes do tempo…

        Chega de pais bonachões que dão aos filhos tudo o que querem. Olhemos para Deus, que é dono e senhor de todas as coisas, e que –mesmo assim – concede-nos tão somente o que é bom (Mt 7,11).

        Chega de “faça o que eu digo, e não o que eu faço”. Os filhos estão fartos disso! O mundo precisa de pais exemplares porque, como enuncia o dito popular, “a palavra convence, mas o exemplo arrasta”.

        Chega de pais que introduzem os seus filhos no caminho da bebida, em lugar de ensiná-los a rezar. Carecemos de pais que sejam homens de oração!

        Precisamos, enfim, de pais que amem. De pais como São José! Eis o desafio! Aos pais de verdade, homens de que o mundo não é digno (Hb 11,38): Parabéns!

 

 

É interessante como as empresas, hoje em dia, conseguem mobilizar seus funcionários para atingir as metas e cumprir os objetivos da empresa. Basta um pouco de motivação para que as pessoas passem horas e horas no trabalho, sacrificando, muitas vezes, o tempo que seria dedicado aos filhos e à família.

Porém, é obvio que não nos matamos de trabalhar para atingir só, e somente só, os objetivos da empresa. Temos os nossos objetivos pessoais, entre os quais, nos manter empregados. Vamos conceder que também somos motivados, em parte, por um tipo de altruísmo que nos leva a querer, com o nosso trabalho, melhorar o mundo e satisfazer nossos clientes.

Mas, em tudo isso, prevalece o fator lucro: As empresas, para serem empresas, precisam ter intuito lucrativo (se não, seriam organizações de voluntários, com fins filantrópicos); manter nosso emprego, renda e padrão de vida é, de certa forma, a nossa maneira de lucrar; atualmente, proporcionar bem-estar para o mundo se traduz em manter a economia mundial funcionando bem, através de empresas financeiramente saudáveis. Enfim, nos sacrificamos por aquilo que nos dá lucro.

Por causa do intuito lucrativo, nos matamos. Mas não temos coragem de morrer para a salvação das almas. E nem estou falando aqui de martírio, literalmente, mas apenas da morte da nossa vontade. Estou falando dos sacrifícios que muitas vezes somos chamados a fazer para o bem da evangelização. Vamos tentar achar a lógica (se é que existe) da nossa preguiça, indiferença, e conseqüente desserviço:

 

·                           Não sacrificamos nosso tempo para a glória de Deus, porque Deus não nos paga hora-extra. Então, porque desperdiçar o nosso valioso de tempo? Tempo é dinheiro.

·                           Não sacrificamos a nossa vontade de fazer isto ou aquilo, porque somos livres, fazemos o que queremos. Deus não manda em nós porque, afinal de contas, não é nosso patrão.

·                           Não conseguimos ser mais generosos nas nossas contribuições porque já estamos trabalhando de graça, Deus não nos paga e a Igreja não nos sustenta.

·                           Nas empresas costuma-se entregar prêmio àqueles que se destacam. Eis, porém, o que o Salmista obteve por se consumir em honra da casa de Deus: “Por mortificar minha alma com jejuns, só recebi ultrajes. Por trocar minhas roupas por um saco, tornei-me ludíbrio deles [dos inimigos de Deus] (Sl 68,11-12)”. Como trabalhar para alguém que não reconhece o nosso esforço, e que nos promete perseguições? 

Esse tipo de pensamento é extremamente danoso, pois deixamos de cumprir papéis que, por direito, são nossos. Exemplo: quando trabalham em equipe as empresas demonstram unidade, coesão, companheirismo. Nós, na casa de Deus, não conseguimos trabalhar em conjunto e, assim, não conseguimos brilhar “como sinal profético de unidade e paz” (Oração Eucarística VI-A), que é tarefa nossa, como Igreja.

Nosso objetivo é muito nobre! Nossa meta é muito alta: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações (Mt 28,19a)”. Como seria diferente a Igreja se nos empenhássemos para o trabalho na vinha do Senhor, como nos empenhamos em todas as outras tarefas que executamos no nosso dia a dia.

O Salmista ao qual me referi anteriormente, dizia: “O zelo por tua casa me consome, ó Senhor” (Sl 68,10). É necessário buscar o sentido da palavra “consumir”. Significa sumir com. Lembro-me agora de uma música que diz “só por Ti, Jesus, quero me consumir como vela que queima no altar. Me consumir de amor”. É exatamente isso: a vela, ao se consumir, some. E, nós devemos, com ela, sumir. Convém que Cristo cresça, que Ele apareça, e nós desapareçamos. (cf. Jo 3,30).

Talvez não tenhamos vislumbrado ainda o valor que o serviço à casa do Senhor pode agregar à nossa vida de cristãos. Não percebemos que a nossa vida está escondida com Cristo em Deus (ICol 3,3); e que ela não se resume a este mundo. Não ouvimos – ou não respondemos – o Duc in altum (“Faze-te ao largo”. Lc 5,4) que nos dá impulso a realizar a obra de Deus. Não entendemos ainda que o nosso lucro é o céu! Ou, por último, não valorizamos o céu. E isso é grave! Deus nos ajude!

 

 

 

No coração de Maria Santíssima,

Gustavo Souza

 

 

 

 

 

 

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