“Dizei somente: sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno” (Mt 5,37).  Essa é uma das recomendações de Jesus no sermão da montanha. Para vivê-la é necessário um dom que atualmente quase se perdeu entre os cristãos, principalmente entre os nossos jovens: o de decidir, escolher, optar. Dizer sim quando é sim, e não quando é não, revela a capacidade de discernir entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, entre o amor e o não-amor.

            Jovens, especificamente, sentem dificuldade na hora de escolher namorado (a), o que fazer no vestibular, em quem votar, que roupa vestir ao sair com os amigos (as), etc. Tudo parece exigir uma decisão e tudo parece convergir em incerteza, insegurança…

            Contudo, sabemos que o ser humano – jovem ou não – é capaz não só de tomar uma decisão, como também de perseverar nela. A isso Santa Terezinha chamava decisão decidida (aliás, Santa Terezinha decidiu-se por ser carmelita ainda criança e ingressou no Carmelo aos 15 anos!). Na história da Igreja temos muitos santos cuja atitude foi de coerência com a sua fé, de opção incondicional por Jesus: São Domingos Sávio, que se santificou quando ainda era muito jovem, costumava dizer: “É preferível morrer a pecar!”. Partindo disso, ele decidiu-se a lutar acirradamente contra o pecado.

            É interessante perceber que toda a decisão implica renúncia. Dizer sim a Deus é dizer não ao Mal(igno) e a si mesmo. E a renúncia dói! Exige muita força de vontade da nossa parte. Que o diga Jesus: decidiu amar os homens até o fim, e por isso teve que renunciar à própria vida. É preciso renunciar para escolher a “melhor parte” (Lc 10,42). Não é fácil, mas também não é impossível.

Além disso, sim e não são palavras fortes que demonstram atitudes resolutas. Por isso, costumamos evitá-las. No mês das vocações somos convidados a perceber a íntima relação que há entre essas palavras e a vocação do homem: ao contraírem matrimônio os noivos dizem sim um ao outro, aceitando-se mutuamente (do jeito que são!) Por conseguinte, estão previamente renunciando – ou seja, dizendo não a todas as possibilidades de relacionamento que possam surgir. É o amor de Cristo Crucificado que os move a isso. Por outro lado, aqueles que são chamados ao sacerdócio ou à vocação religiosa, dizem sim à Igreja e não aos seus objetivos pessoais. Seus sonhos serão os de Cristo, seus projetos serão os da Santa Mãe Igreja. Com liberdade, decidiram que seu direito é não ter direito algum!

            Afinal, o que nos impede de decidir [por Deus]?

Certa vez, um jovem perguntou a Jesus o que devia fazer para ser feliz. Jesus lhe respondeu que seguisse os mandamentos e certamente ele alcançaria a felicidade. O jovem, com um pouco de orgulho talvez, falou que já obedecia à Lei de Deus e, ainda assim, tinha sede de ser feliz. Jesus então, fixou nele olhar, amou-o (Mc 10,21) e o convidou a tomar uma decisão radical: vender todos os seus bens em favor dos pobres, e depois segui-lo. Que fez o jovem? Infelizmente apegou-se às suas riquezas e foi embora. Não quis decidir por Jesus, e por isso partiu. Riquíssimo, mas infeliz!

            Que essa história nos alerte e ajude, para que nada nos atrapalhe na hora de decidir por Cristo. Digamos-Lhe sim como Maria. Não façamos como aquele jovem rico que se prendeu aos seus bens. Pelo contrário: como São Francisco de Assis, desprezemos nossas riquezas por amor aos pobres e optemos por Deus que é “nosso Bem, nosso Único Bem, nosso Sumo Bem”.