É muito freqüente ouvirmos as pessoas falarem em respeito. Seja à mulher, ao negro, à criança ou ao idoso, essa palavra está na ordem do dia. Inúmeros seminários, debates, palestras, entrevistas e artigos (inclusive este que você está lendo) tratam da questão. Também está na ordem do dia o tema “discriminação” que, de certo modo, envolve o respeito. Porém, é preciso rever as premissas das quais estamos partindo para compreender e discutir o respeito, e também o desrespeito.

Antes de mais nada, é preciso entender que estamos lidando com uma via de mão dupla: todos temos o direito de ser respeitados, e o dever de respeitar. Contudo, o que significa respeitar? Será que é tratar com extremo cuidado, como quem pisa em ovos com medo de quebrá-los? Será que é poupar as críticas com receio de que sejam levadas para o lado pessoal?  Será que é suavizar a cor negra, enbranquecendo-a para nos agradar? Chamar negro de “moreno” é respeito ou discriminação? E respeito se reduz a não discriminar?

Uma observação: o chamado “decoro parlamentar”, que deveria instituir o respeito nas relações entre os representantes políticos da Nação, não passa de uma piada. Uma farsa. Um arrumadinho em que “eu não digo o que devo, para não ouvir o que não quero”. Um mecanismo de proteção à corrupção. Isso não é respeito (decoro). É um faz-de-conta. Uma indecência decorrente da amoralidade que reina em nossas instituições.

O respeito implica a não-agressão (verbal e física), a não-humilhação, a não-exclusão. Respeito é sinal de amizade. Mas amizade sincera: aquela que não aplaude o erro, mas, pelo contrário, o corrige para o bem do outro. O respeito pode ser entendido:

 

·                          Em latu sensu, como é o caso do respeito à natureza, o qual se traduz na preservação do que é bom (porque criado por Deus) e útil dentro da ordem natural;

·                          Ou em strictu sensu, como é o caso do respeito aos pais, o qual implica – especificamente – na obediência que os filhos lhes devem; e do respeito que deve existir entre namorados, o qual está orientado para as vias da castidade, necessária à construção de um relacionamento sadio e duradouro.

 

Respeitar não significa legitimar o que, por natureza, é falso. Portanto há um erro quando se diz: “as pessoas fazem suas opções sexuais, portanto, devemos respeitar o homossexualismo”. Não! É verdade que o homossexual deve ser respeitado. Não por ser homossexual, mas por ser humano. Porém, não podemos deixar de mostrar a ele o que é certo, segundo Deus, com a desculpa de que ele é livre e faz o que quer. Liberdade é fazer o bem, não fazer o que se quer. Isso é libertinagem. Se nós não lhe esclarecermos, pecamos por omissão. E isso é gravíssimo, pois São Paulo diz que os efeminados não herdarão o reino de Deus (ICor 6, 9-10). Pode ser que um homossexual vá para o inferno por causa da nossa apatia, covardia e falso moralismo! 

Há quem diga: “Sou idoso, logo, mereço respeito”. Ledo engano. O idoso – assim como a criança, a mulher e o negro – merece respeito porque é um ser humano, criatura de Deus, feita à imagem e semelhança do Senhor. Estou querendo dizer que devemos respeitar as pessoas pelo simples fato de elas serem pessoas e não por qualquer outro motivo, ainda que pareça nobre ou justo.O respeito prescinde de qualquer fator pessoal.

 Um desses fatores pessoais – e, talvez o mais problemático – é o credo religioso que cada um professa. Essa distorção quanto à noção de respeito assume proporções INACEITÁVEIS quando se está falando de opção religiosa: “cada um crê de um jeito”, “devemos respeitar a religião de cada um”. Errado! O religioso deve ser respeitado – reafirmo -, não por ter essa ou aquela crença, mas por ser humano. Além disso, o respeito que se deve ao religioso não se estende à religião dele (assim como o respeito ao homossexual não se estende ao homossexualismo; e o respeito à mulher, não se estende ao feminismo). Perguntar-me-ão: e é possível discordar de algo sem ofender alguém? Devolvo a pergunta: acaso os pais deixariam de repreender (ou mesmo de castigar) seus filhos, com receio de ofendê-los? O agricultor pouparia a erva daninha, que destrói toda a sua plantação, em “respeito” à natureza? E o pastor deixaria de ferir o lobo, que ameaça suas ovelhas, para não machucá-lo? A Verdade precisa ser dita – com convicção, coerência e mansidão – doa a quem doer. Só se sentirão desrespeitados pela verdade os mentirosos, os quais são por ela desmascarados.

E por que o respeito deve fazer parte da nossa conduta ética e moral? Porque Deus nos respeita: “Eis que estou à porta e bato: quem ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo”(Ap 3, 20). Deus não invade a privacidade de ninguém. O Senhor também não discrimina ninguém, pois “não faz distinção de pessoas” (Rm 2,11). Deus não agride nem violenta as decisões de ninguém. Permite que o homem escolha seu próprio caminho (ainda que o homem não escolha O Caminho), mas nunca deixa de denunciar as práticas abomináveis dos homens (Dt 18, 9-13). Deus ama o pecador, todavia não aprova o pecado dele. Antes quer tirá-lo do caminho errado e da vida morta a que este o conduz.

Talvez não sejamos mais profetas, neste mundo dilacerado pela hipocrisia, porque não temos bem certeza daquilo em que dizemos crer. Perdemos o senso do que é a Verdade e a substituímos por um relativismo maldito que tudo legitima em nome do “jeito de cada entender as coisas”. Não vou deixar de criticar a reencarnação por medo de ofender os espíritas. Se eles crêem, paciência. Eu não acredito e dou testemunho público disso. Não vou aprovar a doutrina antimariológica dos protestantes em “respeito” a opinião deles. O Príncipe dos Apóstolos recomenda: “Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito” (IPd 3,15). Não vou deixar de defender – por amor e com amor – a fé da Igreja, a única fé (Ef 4,5), por medo de “desrespeitar” quem quer que seja.

O Mal está gritando e gargalhando enquanto nós, por conta de uma compreensão errada, estamos fazendo um minuto de silêncio em “respeito” aos mortos pelos pecado. Que absurdo!

 

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

 

 

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